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Conceitos Básicos do Alcorão - Harun Yahya

CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO

"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento,
apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:29)


 

O HOMEM SENSATO E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA

 

O fato de que a sabedoria tem sua sede no coração, indica que ela é totalmente metafísica. A sabedoria é dada por Deus e Ele a retira quando Lhe apraz. (A inteligência também é dada por Deus, mas o nível de inteligência não muda através do tempo). O progresso da sabedoria depende do progresso do coração - que seria um coração repleto da "recordação de Deus".

O coração de uma pessoa que se submete completamente a Deus, ganha em sabedoria. Assim diz o Alcorão:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissenções, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor. Mas, ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão 3:7)

Em alguns outros versículos é dito que pensar e recordar a mensagem, e compreendê-la, é uma característica das "pessoas que são sábias".

"Ele concede sabedoria a que Lhe apraz, e todo aquele que for agraciado com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos, ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)

"Em suas histórias, há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidaçção de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem." (Alcorão 12:111)

"Esta é uma mensagem para os humanos, a fim de que com ela sejam admoestados, e saibam que somente Ele é o Deus Único, e para que os sensatos nela meditem." (Alcorão 14:52)

"Acaso, quem está ciente da verdade que tem sido revelada pelo teu Senhor é comparável àquele que é cego? Só o entendem os sensatos." (Alcorão 13:19)

Portanto, o que quer dizer "homens sensatos"? Por que uma pessoa é sensata e o seu coração é puro?

A resposta é facilmente encontrada no Alcorão. Os fatos que encobrem a compreensão de uma pessoa são seus desejos e paixões. Uma pessoa invejosa, por exemplo, tem sua capacidade de compreensão prejudicada em grande parte. A sua inveja a impede de compreender; ela pensa o dia inteiro na pessoa objeto de sua inveja, ela sente raiva e ódio. Tal pessoa não tem calma e tranquilidade para analisar os fatos, perdendo, assim, sua capacidade de entender as coisas.

Da mesma forma, outras paixões também encobrem essa compreensão. A paixão pelo dinheiro faz com que a pessoa pense apenas em como ganhar mais dinheiro. Todavia, na maior parte dos casos, essa pessoa não pode sequer administrar seus bens, porque sua paixão a impede de agir com sabedoria e tomar as decisões corretas.

Uma característica importante dos incrédulos é o medo contínuo que eles têm a respeito do futuro. Estão sempre com medo da pobreza, ou de perder o que possuem, ou de ficarem doentes, etc. Perdem horas pensando na espécie de vida que os aguarda no futuro. Este medo e ansiedade os perturba e é um obstáculo para a capacidade de discernimento. Este medo também se aplica ao "medo da morte"; muitos incrédulos temem e se afligem sempre que pensam na morte. A morte é um evento de um simples segundo, no entanto os incrédulos se preocupam com ele por 40 ou 50 anos. (A morte para os crentes não é motivo de preocupação).

Esses medos e paixões impedem a compreensão. A todo instante, a pessoa age totalmente sob a influência desses sentimentos e não consegue perceber o que de fato ela necessita pensar. A coisa mais importante que ela precisa pensar é sobre a excelência da criação de Deus e que Ele é o mais Exaltado em Poder e Sabedoria. O homem tem a obrigação de glorificar a Deus e adorá-Lo. No entanto, isto só é possível se tiver um coração puro, que não esteja fechado para o entendimento. Somente o homem sensato, que se libert ou de seus medos e desejos egoístas pode conceber Deus e obedecê-Lo.

O Alcorão diz que as evidências de Deus só podem ser entendidas por aqueles que são sensatos:

"Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há sinais para os sensatos." (Alcorão 3:190)

"Tal homem poderá, acaso, ser equiparado àquele que se consagra (ao seu Senhor) durante as horas da noite, quer esteja prostrado, quer esteja em pé, que se precata em relação à outra vida e espera a misericórdia do seu Senhor? Dize: Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes? Só os sensatos o acham." (Alcorão 39:9)

"Não reparas, acaso, em que Deus faz descer a água do céu e a transforma em fontes, na terra? Logo produz, com ela, plantas multicores; logo amadurecem e, às vezes, amarelam; depois converte (as plantas) em feno. Por certo que nisto há uma Mensagem para os sensatos." (Alcorão 39:21)

Os sensatos são aqueles que se recordam da mensagem de Deus e aceitam o que é verdadeiro naquilo que aprenderam de outras pessoas. Não há arrogância em seus corações e por isso eles podem abandonar facilmente o comportamento errado. Quando conversam com os outros, seu objetivo é descobrir o que é certo e não forçar a que aceitem suas opiniões. Deus se refere a essas pessoas como os "Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos.". (Alcorão 39:18)

Os incrédulos não possuem sabedoria e compreensão, por isso não percebem os sinais à sua volta. Embora os céus e a terra estejam repletos de provas da existência de Deus, os incrédulos não conseguem ver nada, porque não têm a mente aberta: suas mentes estão embotadas. São como avestruzes, que escondem a cabeça na areia. Os incrédulos pensam apenas em seus próprios benefícios e não alcançam as evidências de Deus. E é por isso que Deus chama os "sensatos" para acreditarem Nele e temê-Lo.

"… ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prospereis." (Alcorão 5:100)

Há muitas passagens no Alcorão que mostram a forma como os incrédulos são informados; Deus e Seus mensageiros os chamam para a sabedoria no primeiro momento.

"Antes de ti, não enviamos homens que habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 12:109)

"Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais?" (Alcorão 3:65)

"Enviamos-vos o Livro, que encerra uma Mensagem para vós; não raciocinais?" (Alcorão 21:10)

"Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais; não sejais filicidas, por temor à miséria - Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos -; não vos aproximeis das obscenidades, tanto pública, como privadamente, e não mateis, senão legitimamente, o que Deus proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis." (Alcorão 6:151)

"Sucedeu-lhes uma geração que herdou o Livro, a qual escolheu as futilidades deste mundo, dizendo: Isto nos será perdoado! E se lhes fosse oferecido outro igual, tê-lo-iam recebido (e transgredido novamente). Acaso, não lhes havia sido imposta a obrigação, estipulada no Livro, de não dizer de Deus mais que a verdade? Não obstante, haviam estudado nele! Sabei que a morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 7:169)

"Dize: Se Deus quisesse, não vo-lo teria eu recitado, nem Ele vo-lo teria dado a conhecer, porque antes de sua revelação passei a vida entre vós. Não raciocinais ainda?" (Alcorão 10:16)

"Que é a vida terrena senão jogo e diversão frívola? A morada na outra vida é preferível para os tementes. Não o compreendeis?" (Alcorão 6:32)

As únicas pessoas que podem alcançar e compreender as evidências da criação de Deus e a Sua existência são os sensatos:

"E na terra há regiões fronteiriças (de diversas características); há plantações, videiras, sementeiras e tamareiras, semelhanetes (em espécie) e diferentes (em variedade); são regadas pela mesma água e distinguimos umas das outras no comer. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 13:4)

"Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou terreno, ou confundir-vos em seitas, fazendo-vos experimentar tiranias mútuas. Repara em como dispomos as evidências, a fim de que as compreendam." (Alcorão 6:65)

"Foi Ele Quem vos produziu de um só ser e vos proporcionou uma estância para descanso. Temos elucidado os versículos para os sensatos." (Alcorão 6:98)

"Assim, Ele vos elucida os Seus versículos para que raciocineis." (Alcorão 24:61)

"E dos frutos das tamareiras e das videiras, extraís bebida e alimentação. Nisto há sinal para os sensatos." (Alcorão 16:67)

"E submeteu, para vós, a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 16:12)

"Apresenta-vos, ainda, um exemplo tomado de vós mesmos. Porventura, compartilharíeis daqueles que as vossas mãos direitas possuem parceiros naquilo de que vos temos agraciado e lhes concederíeis partes iguais às vossas? Temei-os acaso, do mesmo modo que temeis uns aos outros? Assim elucidamos os Nossos versículos aos sensatos." (Alcorão 30:28)

"(Moisés) disse: É o Senhor do Oriente e do Ocidente, e de tudo quanto existe entre ambos, caso raciocineis!" (Alcorão 26:28)

"E entre os Seus sinais, está o fato de os céus e a terra se manterem sob o Seu Comando, e, quando vos chamar, uma só vez, eis que saireis da terra." (Alcorão 30:24)

É por intermédio da sabedoria e compreensão que o homem se torna mais nobre e mais próximo de Deus. Quanto àqueles destituídos de compreensão, inclusive os incrédulos, não conhecem e não compreendem Deus.

Existem níveis de compreensão. Quanto mais a pessoa se libertar de suas paixões e egoísmo, mais ela crescerá em sabedoria.

Ou o homem obedece a Deus ou se submete aos seus caprichos. Se ele odedecer a Deus, será salvo da tirania de suas paixões e se tornará um sensato. No entanto, se preferir seus desejos e paixões, tomando-os como seu deus, ficará totalmente destituído de entendimento. Toda a sua vida, seu comportamento, seus pensamentos, tudo será em função dos desejos e paixóes ilimitados de sua alma.

Se os desejos governarem a vida da pessoa, seu coração será sigilado, perdendo, assim, as propriedades de "compreensão" (9:87), e "conhecimento" (9:93), tornando-se embotado e perdendo a sua sensibilidade. O coração, então, perde a sua luz e se fecha. Nessas condições, não funciona adequadamente e se torna destituído de sabedoria.

Além disso, tal pessoa não percebe o que perdeu porque também perdeu os critérios de julgamento do certo e do errado. Embora aquele que se torna sensato tenha clara percepção desse estado, o mesmo não se dá com aquele que perdeu esta capacidade. É como um alienado que não sabe que é alienado. Somente através do processo de consciência é que ela pode perceber o quanto era alienada.

A pessoa destituída de sabedoria é como um animal inteligente. Assim diz o Alcorão:

"O exemplo de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que chama as bestas, as quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos, mudos, cegos, porque são insensatos." (Alcorão 2:171)

Esta não é aquela espécie de insanidade típica, comumente conhecida. As pessoas destituídas de sabedoria não são, na verdade, loucas, mas, apenas não pensam com a sabedoria de seus corações. "Pensar com a sabedoria do coração" traz liberdade de ver tudo com o "conhecimento, a concepção e a luz do coração". Quando a sabedoria está sob a influência dos desejos e paixões, temos um estado simples e limitado de inteligência e ela agirá apenas como intermediadora entre os objetos e os acontencimentos. Esta "sabedoria" nunca será independente, não obstante a pessoa achar que é. Ela se proclamará independente e agirá como tal, mas, este é o seu grande equívoco, porque, na verdade, estará sob o domínio de suas paixões e agirá de acordo com as suas regras.

As paixões também são ídolos, conforme Abraão perguntou a seu pai, "Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?" (19:42).

Os desejos comandam a pessoa. Só há uma coisa que torna o homem livre: adorar e obedecer a seu verdadeiro Deus - Allah.

SABEDORIA E ROMANTISMO

Um dos fatos mais importantes que encobrem a sabedoria, é o sentimentalismo, ou seja, o romantismo. Ele é um estado perigoso e daninho da personalidade, que impede a pessoa de compreender.

O sentimentalismo pode ser definido como as emoções que escapam do controle da sabedoria, deixando a pessoa totalmente ao sabor de suas emoções. A pessoa sentimental e comporta de forma irracional porque está sob a influência de suas emoções. O crente, ao contrário, guia suas emoções com sabedoria e age de acordo.

O amor, por exemplo, pode ser tanto emocional como racional. A pessoa sentimental ama as pessoas e objetos que, na verdade, não mercem ser amados. As pessoas amam coisas que lhes causam sofrimento ou que não as respeitam.

O amor dos crentes é totalmente sensato. Os crentes amam as pessoas por suas caracterísitcas de correção, que também são os sinais de sua fé, conforme mencionado no Alcorão. Os crentes não amam as pessoas que não merecem ser amadas.

Frequentemente, o Alcorão adverte os crentes para evitarem o amor emocional:

"Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor! Quando sairdes para combater pela Minha causa, procurando a Minha complacência (não os tomeis por confidentes), confiando-lhes as vossas intimidades, porque Eu, melhor do que ninguém, sei tudo quanto ocultais, e tudo quanto minifestais. Em verdade, quem de vós assim proceder, desviar-se-á da verdadeira senda. Se lograssem tirar o melhor de vós, mostrar-se-iam vossos inimigos, estenderiam as mãos e as línguas contra vós, desejando fazer-vos rejeitar a fé. De nada vos valerão os vossos parentes ou os vossos filhos, no Dia da Ressurreição. Ele vos separará; sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.

Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram, quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos atos e por tudo quanto adorais, em lugar de Deus. Renegamos-vos e iniciar-se-á uma inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que creiais unicamente em Deus! Todavia, as palavras de Abraão para o pai: - Implorarei o perdão para ti, embora nada venha a obter de Deus em teu favor - foram uma exceção. (Dizei, ó crentes): Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno." (Alcorão 60:1-4)

Nos versículos "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus, vosso Senhor!", Deus diz que amar pessoas que, na verdade, são nossas inimigas é totalmente irracional. Devotar o nosso amor a tais pessoas depende única e exclusivamente da emoção.

Há, também, outras passagens no Alcorão que chamam nossa atenção para os mesmo riscos. Noé, por exemplo, pediu perdão a Deus para seu filho por não ter pedido para ser salvo da enchente. E Deus disse a Noé que seu filho estave entre os incrédulos e que ele (Noé) não deveria oferecer-lhe o seu amor.

"E ela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas, e Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca conosco e não fiques com os incrédulos! Porém, ele disse: Refugiar-me-ei em um monte, que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi um dos afogados…E Noé clamou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! Respondeu-lhe: Ó Noé, em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um dos insipientes! Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres de mim, serei um dos desventurados." (Alcorão 11:42-47)

A ordem de Deus, nestes versículos, é de uma clareza cristalina. Os crentes não podem amar os incrédulos, ainda que sejam membros de sua família. A sabedoria mostra que devemos amar aqueles que merecem. Portanto, não há a menor chance de os crentes amarem pessoas que não obedecem aos mandamentos de Deus e esse tipo de amor é um amor emocional, e que é típico das comunidades de ignorantes.

As esposas de Noé e de Lot também eram infiéis e foram punidas por Deus. A comunidade de Lot havia se desviado e, por isso, foi destruída. No dia anterior à destruição, os anjos vieram até Lot e disseram-lhe para abandonar a cidade, mas que deixasse sua esposa lá. Sem hesitação, Lot obedeceu, porque o seu amor por ela não era emocional.

"Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor; eles jamias poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém, acontecerá o mesmo que a eles. Tal senteça se executará ao amanhecer. Acaso, não está próximo o amanhecer?" (Alcorão 11:81)

Da mesma forma que Lot, não há um sequer, entre os crentes, que ofereça o seu amor a pessoas que desobedecem a Deus:

"Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final, que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro, ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n´Ele. Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de Dues serão os bem-aventurados?" (Alcorão 58:22)

A razão para este comportamento racional dos crentes é a "compreensão do amor". Diz o Alcorão, no que se refere à diferença na compreensão do amor:

"Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele), aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo" (Alcorão 2:165)

Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes, na verdade, amam Deus. O amor que devotam aos homens, nada mais é do que o reflexo do seu amor por Deus, e é por isso que eles amam aqueles que são fiéis também. Quanto aos incrédulos, estes só obedecem a seus desejos e paixões, razão por que se afastaram de Deus. O seu comportamento e modos lembram os de Satanás. Por isso, é impossível para o crente amá-los. Os incrédulos consideram cada criatura apartada de Deus e por isso, os ama separadamente. Esta espécie de amor "é atribuir parceiro a Deus" - ou seja, isto é idolatria.

O comportamento oposto à emoção, a que se refere o Alcorão, não consiste apenas no amor. Há muitos exemplos de comportamentos racionais no Alcorão: na relação de Moisés com um dos servos de Deus, a quem Ele agraciou com a Sua Misericórdia e a quem deu o conhecimento de Sua própria Presença, os prejuízos menores são considerados benefícios maiores (18:65-82); com relação ao papel do sacrifício, Ismael disse a seu pai "Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!" (37:102); e a mãe de Moisés, assim que recebe a inspiração de Deus, coloca o filho no rio sem hesitação (28:7); e os crentes sufocam sua raiva e perdoam os homens (3:134); e não se desesperam com relação a coisas que estão além de sua compreensão (57:23); e gastam daquilo que eles mais apreciam (3:92).

No entanto, há um ponto importante que não deve ser compreendido erradamente. Não ser possuído pela emoção não quer dizer que a pessoa seja insensível ou indelicado. O Alcorão diz que "Sabei que Abraão era sentimental, tolerante." (9:114) O que está errado com a emoção é que ela se origina de uma convicção ignorante. As emoções são fruto da alma e não no espírito.

AS RAÍZES DA SABEDORIA

Uma vez que a sabedoria está relacionada com a metafísica, alcançar a sabedoria está também relacionada a essa ciência. Encontramos, no Alcorão, os caminhos para se alcançar a sabedoria; a sabedoria começa com o temor a Deus.

"Ó fieis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão 8:29)

O temor a Deus faz com que o homem compreenda os atributos de Deus e entenda o dia do julgamento, e, numa etapa posterior, ele terá a capacidade de julgar o certo do errado. Esta espécie de entendimento é o resultado do fato de que o temor a Deus suaviza o coração da pessoa.

"Deus revelou a mais bela Mensagem: um Livro homogêneo (com estilo e eloquência), e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que temem seu Senhor; logo, suas peles e corações se apaziguam, ante a recordação de Deus. Tal é a orientação de Deus, com a qual encaminha quem Lhe apraz. Por outra, quem Deus desviar não terá orientador algum." (Alcorão 39:23)

O homem deve tentar aumentar o seu temor a Deus. Deve orar, e tentar compreender os atributos de Deus melhor e que Ele é Poderoso e Exalatado.

"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei a caridade, que isso erá preferível para vós! Aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)

O homem de discernimento tem uma profunda concepção dos atributos de Deus e da religião, ao passo que os homens destituídos de entendimento são citados no Alcorão como tendo "cobertas sobre os corações (e mentes) a fim de que não possam entender o Alcorão".

"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)

O Alcorão, em muitas passagens, refere-se aos incrédulos que não entendem e nem concebem as verdades. Percebem as realidades ditas a eles através dos sentidos físicos; ouvem e vêm, mas não compreendem o significado. É uma espécie de estado de embriaguês e perda da consciência e isto á alguma coisa metafísica. Deus diz que Ele coloca véus sobre seus corações:

"E haverá alguém mais iníquo do que quem, ao ser exortado com os versículos do seu Senhor, logo os desdenha, esquecendo-se de tudo quanto tenha cometido? Em verdade, sigilamos as suas mentes para que não os compreendessem e ensurdecemos os seus ouvidos; e ainda que os convides à orientação, jamais se encaminharão." (Alcorão 18:57)

Os incrédulos algumas vezes, até, confessam que não compreendem a verdadeira religião que lhes foi comunicada. Da mesma forma que o povo de Madian ao dizer a Xuaib, "Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes e, para nós, és incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado, porque não ocupas grande posição entre nós." (Alcorão 11:91)

Quando o coração do homem é encoberto por um véu e Deus tira toda a sua compreensão, não há a menor possibilidade de ele seguir o caminho verdadeiro, a menos que Deus assim o queira.

"Entre eles, há os que te escutam. Poderias fazer ouvir os surdos, uma vez que não entendem? E há os que te perscrutam; acaso, poderias fazer ver os cegos, uma vez que não enxergam?" (Alcorão 10:42-43)

Portanto, somente as pessoas que possuem a fé e agem corretamente são capazes de compreender. Além disso, os crentes também estão obrigados a transmitir a verdadeira religião:

"Dize: Esta é a minha senda. Apregôo Deus com lucidez, tanto eu como aqueles que me seguem." (Alcorão 12:108)

"Já vos chegaram as evidências do vosso Senhor! Quem as observar será em benefício próprio; quem se obstinar (em negá-las) será igualmente em seu prejíxo, e eu não sou vosso guardião." (Alcorão 6:104)

Uma vez que os incrédulos são destituídos de compreensão, eles pensam que lhes é benéfico se desviarem. Escolheram o inferno e estão satisfeitos com a escolha.

"Depois da partida do Mensageiro de Deus, os que permaneceram regozijavam-se de terem ficado em seus lares e recusado sacrificar os seus bens e pessoas pela causa de Deus; disseram: Não partais durante o calor! Dize-lhes: O fogo do inferno é mais ardente ainda! Se o compreendessem…!" (Alcorão 9:81)

"E se for revelada uma surata que lhes prescreva: Crede em Deus e lutai junto ao Seu Mensageiro! Os opulentos, entre eles, pedir-te-ão para serem eximidos e dirão: Deixa-nos com os isentos! Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem". (Alcorão 9:86-87)

DISPLICÊNCIA E ATENÇÃO

Em muitas passagens, o Alcorão diz que os incrédulos destituídos de compreensão também reconhecem que estão em estado de displicência.

"Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes."(Alcorão 7:179)

"São aqueles aos quais Deus selou os corações, os ouvidos e os olhos; tais são os desatentos. "(Alcorão 16:108)

Além de não perceberem seus próprios comportamentos e critérios errados, as pessoas que são displicentes também esperam parecer inocentes e tentam diminuir o grau de suas iniquidades. Contudo, não é possível libertarem-se das faltas, através de desculpas posteriores, conforme mencionado no Alcorão:

"Mais, ainda, o homem será a evidência contra si mesmo, ainda que apresente quantas escusas puder." (Alcorão 75:14-15)

Apresentar desculpas é apenas uma forma de encobrir o estado causado pelos desejos e paixões. O Alcorão se refere a essas escusas como:

"Porém, se quando se depararem com o comércio ou com a diversão, se dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós, dize-lhes: O que será relacionado com Deus é preferível à diversão e ao comércio, porque Deus é o melhor dos provedores. "(Alcorão 62:11)

"E se aproximar a verdadeira promessa. E eis os olhares fixos dos incrédulos, que exclamarão: Ai de nós! Estivemos desatentos quanto a isto; qual, fomos uns iníquos!" (Alcorão 21:97)

"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações". (Alcorão 18:28)

Ao invés de apresentar alguma forma de desculpa, seria mais sábio para ele tentar compreender sua iniquidade. Somente esta atitude salvá-lo-á do estado de desatenção e de extravio em que ele se encontra.

"Aproxima-se a prestação de contas dos homens que, apesar disso, estão desdenhosamente desatentos" (Alcorão 21:1)

Enquanto o descrente está desatento, o crente está alerta, consciente e atento. Os crentes têm consciência de que Deus conhece tudo sobre os homens e de que Ele está em toda a parte. Sabe, também, que na outra vida, Ele chamará cada um de nós para a prestação de contas. O crente atento está sempre alerta sobre tudo o que o rodeia. Deus registra e anota de tudo, sem exceção de um único acontecimento. Na verdade, cada evento e cada objeto tem um grande propósito e está além da sabedoria. Os crentes, permanecendo alertas e atentos, entendem cada detalhe específico.

Por outro lado, os incrédulos são negligentes. Como não imaginam que os eventos estão todos vinculados a um objetivo maior, eles estão num estado de desatenção e negligência. Só prestam atenção aos seus próprios interesses. Portanto, eles estão interessados somente em certos aspectos de certos acontecimentos e, por isso, não podem perceber as relidades que os rodeiam e optam por resultados falsos.

Existem vários aspectos de atenção. Prestar atenção aos acontecimentos, ponderar e compreender, perceber as evidências à sua volta, pensar sobre algumas ações, são sinais de atenção. O Alcorão cita muitos exemplos de comportamentos atentos dos crentes. Moisés, por exemplo, reconhece o fogo perante todas as pessoas em volta dele, e na verdade ele descobre que não era um fogo comum. Então, perto do fogo, Deus comunica a Moisés:

"Quando viu um fogo, disse à sua família: Permanecei aqui, porque lobriguei um fogo; quiçá vos traga uma áscua ou, por outra, ache ao redor do fogo alguma orientação. Porém, quando chegou a ele, foi chamado: Ó Moisés, Sou teu Senhor! Tira as tuas sandálias, porque estás no vale sagrado de Tôua. Eu te escolhi.Escuta, pois, o que te será inspirado: Sou Deus. Não há divindade além de Mim! Adora-Me, pois, e observa a oração, para celebrar o Meu nome, porque a hora se aproxima - desejo conservá-la oculta, a fim de que toda a alma seja recompensada segundo o seu merecimento. Que não te seduza aquele que não crê nela (a Hora) e se entrega à concupiscência, porque perecerás!" (Alcorão 20:10-16)

Além do fato de que os crentes são cuidadosos individualmente, também é importante que a comunidade de crentes esteja vigilante e seja precavida. A regra do "ser perseverante", contida na Surata 3, versículo 200, é um exemplo disto. Desta forma, enquanto alguns crentes lidam com situações diferentes, outros devem esperar vigilantemente e em estado de alerta.

Um estado de fadiga, indiferença, despreocupação e insensibilidade, de não cuidar das coisas, são traços característicos dos incrédulos. Portanto, os crentes devem sempre ser extremamente cuidadosos, vigilantes e alertas. Os crentes são animados, vivos, fortes, ávidos e entusiastas e além disso, eles também tornam os outros crentes entusiastas.

SEGUIR A CONJECTURA

Quando um homem vive em estado de desatenção ele não compreende e não pode perceber nada, ele não possui critérios para fazer julgamentos verdadeiros. Tal pessoa naturalmente se comporta de forma ilógica e desarrazoada. Toda a sua vida é baseada em conceitos ilógicos mas ele não percebe isto.

O princípio essencial da sabedoria é não acreditar em uma presunção, até que ela seja provada definitivamente. Ninguém que seja inteligente e razoável baseia sua vida em alguma coisa que não esteja provada. Por exemplo, ninguém toma um medicamento que não seja totalmente conhecido, achando que talvez ele seja bom. Cada ação deve ser baseada em verdades certas.

No entanto, os incrédulos baseiam suas vidas em meras suposições. Eles não acham que viverão uma vida após a morte. Não imaginam que pagarão pelo que tiverem feito ou acham que não serão inculpados, mesmo que exista um acerto final. Todo sistema e ideologia que eles admitem estão baseados em algumas espécies de conjecturas e, assim, sua visão de mundo não depende de uma base verdadeira e correta.

Na Surata 18, temos o caso dos dois fazendeiros, um deles descrente e o outro um crente. Conforme mencionado acima, o descrente neste caso, baseou sua vida em algumas suposições e conjeturas falsas:

"Expõe-lhes o exemplo de dois homens: a um deles concedemos dois parreirais, que rodeamos de tamareiras e, entre ambos, dispusemos plantações. Ambos os parreirais frutificaram, sem em nada falharem, e no meio deles fizemos brotar um rio. E abundante era a sua produção. E disse ao seu vizinho: Sou mais rico do que tu e tenho mais poderio. Entrou em seu parreiral num estado (mental) injusto para com a sua alma. Disse: Não creio que (este parreiral) jamais pereça, como tampouco creio que a Hora chegue! Porém, se retornar ao meu Senhor, serei recompensado com outra dádiva melhor do que esta." (Acorão 18:32-36)

As afirmações feitas nesses versículos são importantes. O descrente diz que não acredita que seu pomar se acabe e nem que a hora do julgamento virá. Esta é uma simples suposição e não há prova concreta em relação a isso. No entanto, o proprietário considera essa suposição falsa e inverídica como fundamento. A conclusão leva-o a total destruição, como o resto da história nos mostra:

"Seu vizinho lhe disse, argumentando: Porventura negas Quem te criou, primeiro do pó, depois, de esperma e logo te moldou como homem? Quanto a mim, Deus é meu Senhor e jamais associarei ninguém ao meu Senhor. Por que quando entrastes em teu parreiral não dissestes: Seja o que Deus quiser, não existe poder senão em Deus! Mesmo que eu seja inferior a ti em bens e filhos, é possível que meu Senhor me conceda algo melhor do que o teu parreiral e que, do céu, desencadeie sobre o teu uma centelha, que o converta em um terreno de areia movedça. Ou que a água seja totalmente absorvida e nunca possas recuperá-la. E foram arrasadas as suas propriedades; e (o incrédulo, arrependido) retorcia, então, as mãos, pelo que nelas havia investido, e, vendo-as revolvidas, dizia: Oxalá não tivesse associado ninguém a meu Senhor! E não houve ajuda que o defendesse de Deus, nem pôde salvar-se. Assim, a proteção só incumbe ao Verdadeiro Deus, porque Ele é o melhor Recompensador e o melhor Destino.(Alcorão 18:37:44)

Assim, todos os incrédulos se submetem a conjeturas e não à verdadeira sabedoria. O conhecimento que é verdadeiro, com a certeza exata, é o conhecimento que vem de Deus, que é inspiração- Se o homem quiser basear sua vida no conhecimento que é verdadeiro e com certeza exata, ele deve ter o Alcorão como seu livro e padrão de julgamento. Quanto ao homem que julga com base na ideologia, na filosofia, no sistema, na metodologia ou na ciência, não chegará ao conhecimento preciso, porque todas essas correntes de pensamento não provêm da fonte divina, não passando de simples suposições. Conforme mencionado no Alcorão

"Embora careçam de todo o conhecimento a esse respeito. Não fazem senão seguir conjeturas, sendo que a conjetura jamais prevaleceu, em nada, sobre a verdade".(Alcorão 53:28)

O Alcorão define as pessoas que descartam o caminho de Deus como submissos a simples suposições:

'Que pereçam os inventores de mentiras! Que estão descuidados, submersos na confusão! Perguntam: Quando chegará o Dia do Juízo? (Será) o dia em que serão testados no fogo! (Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes apressar!" (Alcorão 51:10-14)

Aqueles que associam outros deuses a Deus são, na verdade, todos submissos a suposições. No Alcorão está dito:

"Tais (divindades) não são mais do que nomes, com que as denominastes, vós e vossos antepassados, acerca do que Deus não vos conferiu autoridade alguma. Não seguem senão as suas próprias conjeturas e as luxúrias das suas almas, não obstante ter-lhes chegado a orientação do seu Senhor!" (Alcorão 53:23)

Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 10:66)

Se obedeceres à maioria dos seres da terra, eles desviar-te-ão da senda de Deus, porque não professam mais do que a conjetura e não fazem mais do que inventar mentiras." (Alcorão 6:116)

"Sua maioria não faz mais do que conjeturar, e a conjetura jamais prevalecerá sobre a verdade; Deus bem sabe tudo quanto fazem!" (Alcorão 10:36)

Aqueles que se submetem às suposições acham que podem criar e oferecer algumas simples desculpas a Deus para salvaguardá-los. Na verdade, isto é mera conjetura e contradiz a realidade. Suas escusas não serão aceitas perante Deus.

"Os idólatras dirão: Se Deus quisesse, nem nós, nem nossos pais, jamais teríamos idolatrado, nem nada nos seria vedado! Assim, seus antepassados desmentiram os mensageiros, até que sofreram o Nosso castigo. Dize: Tereis, acaso, algum argumento a nos expor? Qual! Não seguis mais do que conjeturas e não fazeis mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 6:148)

LEALDADE & OBEDIÊNCIA

Cada tipo humano é descrito detalhadamente no Alcorão, inclusive todas as caracterísitcas corruptas dos incrédulos.

Além do caráter dos incrédulos, o Alcorão também nos fala sobre as propriedades características dos crentes. Os fiéis que crêem em Deus, que receberam o alento de Sua alma e que obedecem a Ele, têm suas características baseadas em elevados valores morais.

Quando comparamos os dois lados, isto é, crentes e incrédulos, torna-se evidente que seus comportamentos são definitivamente opostos. Os crentes, por exemplo, são leais e sinceros, enquanto os incrédulos são hipócritas e desleais. Os crentes são generosos, bravos e modestos, enquanto que os incrédulos são arrogantes, amedrontados e egoístas.

Uma outra diferença importante entre eles é o conceito de lealdade. Os incrédulos jamais são verdadeiramente leais. Tendo em vista que eles sempre preferem seus próprios interesses, podem facilmente enganar a seus amigos a quem juram amor e podem se comportar deslealmente. De igual modo, abandonam o caminho que aceitaram como verdadeiro e deixam de lutar por aquilo que, até há pouco tempo atrás, lutavam com intensidade.

Os crentes, no entanto, são totalmente diferentes. Não almejam qualquer benefício egoísta senão a Vontade de Deus. Todo o seu comportamento está de acordo com a Vontade de Deus - assim, não há possibilidade de eles abandonarem àqueles a quem amam, os outros crentes, por qualquer razão e porque não podem deixar o verdadeiro caminho (lutar pela causa de Deus). São profundamente leais com os crentes e, em especial com o profeta ou líder. Deus assim se refere à lealdade no Alcorão:

"Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando da sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros que esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja." (Alcorão 33:23)

Com lealdade, os fiéis todos lutam pelo mesmo objetivo e isto, que é o principal sinal de estabilidade e determinação, impede dúvidas e estimas frívolas. Esta é uma das características vitais dos fiéis, uma vez que a menor instabilidade na lealdade e na autenticidade provocará a perda do auto-respeito. Portanto, a pessoa que perde o auto-respeito, evolui na fraude, perde a fé e, consequentemente, se comporta da mesma forma que um descrente ou um hipócrita. É por isso que a infidelidade conduz a um resultado importante. O infiel, ao tentar esconder este comportamento dos crentes, é levado a uma falsificação. A uma mentira segue-se outra, e, assumindo que ele ilude o crente, começa então uma nova maneira de viver. E é um comportamento distante dos crentes e com o objetivo de se beneficiar dos fiéis, sem qualquer sentimento de amor. Este homem não age pela causa da Vontade de Deus, mas pela vontade do homem e mente para manter seu crédito perante os crentes. Tentando encontrar desculpas para a sua infidelidade, ele se pretende inocente, mas isto não faz bem.

Os fatos aqui mencionados comprovam que o comportamento infiel acaba por transformar a crença em descrença. Quanto aos crentes, esses são leais até a morte e se comportam assim porque a sua lealdade é, na verdade, a lealdade para com Deus. Dentro desse raciocínio, o comportamento desleal significa, na verdade, a deslealdade para com Deus. Lealdade e obediência são unicamente para com Deus

"Quem obedecer ao Mensageiro obedecerá a Deus; mas quem se rebelar, saiba que não te enviamos para lhes seres guardião." (Alcorão 4:80)

A lealdade é um dos tópicos mais importantes, para o qual os fiéis devem estar bem atentos. O Alcorão fala sobre os hipócritas que esperam escapar da luta, embora jurem ser leais e que este é um acordo fundamental

"Tinham prometido a Deus que não fugiriam (do inimigo). Terão que responder pela promessa feita a Deus!" (Alcorão 33:15)

"Não negocieis o pacto com Deus a vil preço, porque o que está ao lado de Deus é preferível para vós; se o soubésseis!" (Alcorão 16:95)

Não há dúvida de que a obediência é o sinal mais importante da lealdade e ela é mencionada em muitos versículos do Alcorão. Conforme diz o Alcorão, a obediência é a chave para a Misericórdia e o Paraíso, e a vitória contra os incrédulos.

"Obedecei a Deus e ao Mensageiro, a fim de que sejais compadecidos." (Alcorão 3:132)

"Tais são os preceitos de Deus. Àqueles que obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro, Ele os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Tal será o magnífico benefício." (Alcorão 4:13)

"Ó fiéis, obedecei a Deus, ao Mensageiro e às autoridades, dentre vós! Se disputardes sobre qualquer questão, recorrei a Deus e ao Mensageiro, se crerdes em Deus e no Dia do Juízo Final, porque isso vos será preferível e de melhor alvitre." (Alcorão 4:59)

"Jamais enviaríamos um mensageiro que não devesse ser obedecido, com a anuência de Deus. Se, quando se condenaram, tivessem recorrido a ti e houvessem implorado o perdão de Deus, e o Mensageiro tivesse pedido perdão por eles, encontrariam Deus, Remissório, Misericordiosíssimo. Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissensões e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então submeter-se-ão a ti espontaneamente." (Alcorão 4:64-65)

"Aqueles que obedecem a Deus e ao Mensageiro, contar-se-ão entre os agraciados por Deus: profetas, verazes, mártires e virtuosos. Que excelentes companheiros serão!" (Alcorão: 4:69)

A obediência é para ser praticada em todas as ocasiões, independentemente de qualquer obstáculo ou complicação. A obediência sob dificuldades e problemas é peculiar aos crentes. Os hipócritas, no entanto, apenas obedecem quando não há muitas dificuldades a serem vencidas, e por isso o Alcorão diz que eles obedecerão se "houver ganhos imediatos e jornada fácil.

"Quer estejais leve ou fortemente (armados), marchai (para o combate) e sacrificai vossos bens e pessoas pela causa de Deus! Isso será preferível para vós, se quereis saber. Se o ganho fosse imediato e a viagem fácil, ter-te-iam seguido; porém a viagem pareceu-lhes penosa. E ainda jurariam por Deus: Se tivéssemos podido, teríamos partido convosco! Com isso se condenaram, porque Deus bem sabia que eram mentirosos." (Alcorão 9:41-42)

Os crentes obedecem sob qualquer condição e se comprometem, ainda que tenham seus interesses contrariados. Esta é uma das principais diferenças entre os fiéis e os hipócritas.

"Dizem: Cremos em Deus e no Mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso, uma parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo deles desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele, obedientes. Abrigam a morbidez em seus corações; duvidam eles, ou temem que Deus e Seu Mensageiro os defraudem? Qual! É que eles são uns iníquos! A resposta dos fiéis, ao serem convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, será: Escutamos e obedecemos! E serão venturosos. Aqueles que obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro e temerem a Deus e a Ele se submeterem, serão os ganhadores! Juraram solenemente por Deus que se tu lhes ordenasses (marcharem para o combate) iriam. Dize-lhes: Não jureis! É preferível uma obediência sincera. Sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis. Dize-lhes (mais): Obedecei a Deus e obedecei ao Mensageiro. Porém, se vos recusardes, sabei que ele (o Mensageiro) é só responsável pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis responsáveis pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis encaminhar-vos-eis, porque não incumbe ao Mensageiro mais do que a proclamação da lúcida Mensagem." (Alcorão 24:47-54)

A obediência ao mensageiro deve ser do fundo do coração e com compromisso pleno. Os fiéis sabem que a decisão do mensageiro é certa e, por isso, não abrigam a suspeita em seus corações. Isto é extremamente importante porque obedecer com relutância e de má vontade é considerado com um sinal de descrença, conforme descreve o Alcorão:

"Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissenções e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então, submeter-se-ão a ti espontaneamente." (Alcorão 4:65)

A obediência é o indício cristalino que afirma a crença em Deus e obediência para servi-Lo. Que, o que levará o homem à salvação eterna e verdadeira é a simples obediência. Conforme afirma a Surata 24: Ó fiéis, atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. o mensageiro convoca os homens para a salvação. Em um outro versículo, está dito que o Mensageiro chama os fiéis para a salvação, liberdade e alegria e para evitar o mal.

"São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual encontram mencionado em sua Tora e no Evangelho, o qual lhes recomenda o bem e lhes proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e veda-lhes o imundo, alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem. Aqueles que nele creram, honraram-no, defenderam-no e seguiram a Luz que com ele foi enviada, são os bem-aventurados." (Alcorão 7:157)

O que determina a vitória dos fiéis sobre os infiéis é o fato de eles serem completamente obedientes ao Mensageiro e àqueles que têm a autoridade para governar. Neste caso, eles obedecem. Deus os apóia e lhes dá a vitória. Na verdade, também há o caso oposto para ser meditado, ou seja: se eles não obedecerem ao mensageiro, eles perdem sua autoridade e força.

"Deus cumpriu a Sua promessa quando, com a Sua anuência, aniquilastes os incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos." (Alcorão 3:152)

A salvação só é alcançada através da obediência. Aqueles que desobedecem e seguem um caminho diferente daquele indicado pelo Mensageiro não encontrará lugar algum exceto o inferno, confome mencionado no Alcorão:

"A quem combater o Mensageiro, depois de haver sido evidenciada a Orientação, seguindo outro caminho que não o dos fiéis, abandoná-lo-emos em seu erro e o introduziremos no inferno. Que péssimo destino!" (Alcorão 4:115)