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Conceitos Básicos do Alcorão - Harun Yahya

CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO

"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento,
apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:29)


IDOLATRIA

 

A palavra idolatria em árabe é "shirk" e significa "parceria/associação". E no Alcorão, idolatrar tem o significado de associar a Deus qualquer outro ser, pessoa ou conceito, considerando-os iguais a Ele. Nas traduções do Alcorão, idolatria também é citada como "associar um parceiro a Deus". Também expressa "ter ou adorar um outro deus, além de Deus" .

No sentido mais geral, idolatria significa tomar para si crenças diversas, julgamentos, estilos de vida e conceitos, diferentemente do que está prescrito no Alcorão e conceber a vida baseada nestes conceitos. Portanto, esta pessoa idolatra aquele que legisla sobre tais assuntos. Este pode ser o pai, o avô, a sociedade em que se vive, os fundadores de várias filosofias ou ideologias e seus seguidores. Com relação a isto, a pessoa que segue um caminho diferente do Islam está idolatrando. Esta pessoa pode se dizer ateu, cristão, judeu, etc. Pode até se dizer muçulmano. Ele pode fazer as preces regulamentares, jejuar e obdecer as leis do Islam. Contudo, ele é um idólatra se tiver uma simples interpretação que conflite com o Alcorão, porque isto significará que ele associou aquele legislador a Deus.

Idolatria não quer dizer descrença absoluta em Deus. Muitos dos idólatras não aceitam que são idólatras. Eles chegam a negar sua descrença na vida após a morte por causa de suas almas endurecidas. O Alcorão assim se refere sobre o assunto:

"Recorda-lhes o dia em que congregaremos todos, e diremos, então, aos idólatras: Onde estão os parceiros que pretendestes Nos atribuir? Então, não terão mais escusas, além de dizerem: Por Deus, nosso Senhor, nunca fomos idólatras." (Alcorão 6:22-23)

Ser idólatra não significa dizer "este é um ser divino", "Estou tomando este ser como um deus além de Deus e estou adorando-o" ou qualquer outra coisa semelhante. Antes de mais nada, idolatria está no coração, depois na forma de pensar e então passa a refletir todo um comportamento. A razão da idolatria está no fato de que a pessoa prefere um outro ser a Deus. Por exemplo, preferir a vontade de uma pessoa do que a vontade de Deus, ou temer uma pessoa mais do que a Deus, ou amar uma pessoa mais do que a Deus, tudo isso significa associar um parceiro a Deus. Estas são as modalidades de idolatria que o Alcorão salienta. Como dito antes, a razão mais importante que leva à idolatria é o sentimento de "amor" dirigido falsamente. Este tipo de amor dos idólatras está citado nos seguintes versículos:

"Entre os humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele) aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo." (Alcorão 2:165)

Os fiéis dirigem seu amor única e exclusivamente a Deus, ao passo que os idólatras amam a si mesmos, ou a outras pessoas, porque não têm uma relação íntima com Deus. Essas pessoas podem ser seus pais, seus filhos, irmãos, esposas, maridos ou quaisquer outras pessoas. Este amor também pode estar voltado para objetos inanimados tais como dinheiro, propriedades, casa, carro. Qualquer coisa, ou posição, ou prestígio pode ser objeto de idolatria.

As características intrínsecas de cada pessoa ou de cada objeto, na verdade nada mais é do que um reflexo das caracterísitcas infinitamente superiores de Deus. A única origem de todas as coisas é Deus. Portanto, Deus é Aquele que merece todo o nosso amor, porque é Ele quem possui toda a superioridade e excelência. Consequentemente, quando dedicamos nosso amor a uma pessoa ou coisa, na verdade estamos transformando aquela pessoa ou coisa em nosso deus, um falso deus, e adorando-o ao lado de Deus.

Em um outro versículo, Abraão adverte os idólatras que deixam Deus e adoram falsos deuses, por quem têm profundo amor:

"E lhes disse: Só haveis adotado ídolos em vez de Deus, como vínculo de amor entre vós, na vida terrena; eis que, no Dia da Ressurreição, desconhecer-vos-eis e vos amaldiçoareis reciprocamente; e vossa morada será o fogo, e jamais tereis socorredores." (Alcorão 29:25)

Um exemplo importante de idolatria é a paixão que um homem devota a uma mulher, seja a esposa, uma mulher querida ou mesmo uma mulher a quem ele dedica um amor platônico. Se esta é uma espécie de amor que o faz se esquecer de Deus, e também o sentimento que lhe é mais caro do que o amor a Deus, fazendo com que seja substituído no coração, tomando seu lugar, este amor acaba por levar a pessoa à idolatria. Sabemos pelo Alcorão que esta espécie de sentimento, que é tido como inocente pela sociedade, tem um significado diferente perante Deus.

"Não invocam, em vez d'Ele, a não ser deidades femininas, e, com isso invocam o rebelde Satanás." (Alcorão 4:117)

Este risco também se aplica às mulheres, tanto quanto aos homens. Na sociedade, o amor pagão é apresentado como "amor", "romantismo", "sentimento puro e inocente" e até mesmo exaltado e encorajado. Esta espécie de romantismo, que tanto influencia a juventude, atrasa o amadurecimento e produz uma geração herética, cujos membros desconhecem tudo sobre religião e estão distanciados da crença em Deus, não entendendo a razão da criação, desconhecendo o amor e o temor a Deus, e que vê a idolatria como uma coisa absolutamente normal.

Outra razão importante que leva os homens à idolatria é o sentimento de "medo". Assim como o amor, o medo também é uma espécie de sentimento que só deveria ser dirigido a Deus. Quando tememos as criaturas estamos atribuindo-lhes um poder que só Deus tem, e considerando-as isentas do destino que Deus traçou para elas. Com os versículos abaixo, vamos perceber que temer alguém além de Deus é associar parceiros a Deus:

"Deus disse: Não adoteis dois deuses - posto que somos um único Deus! - Temei, pois, a Mim somente! Seu é tudo quanto existe nos céus e na terra. Somente a Ele devemos obediência permanente. Temeríeis, acaso, alguém além de Deus?" (Alcorão 16:51-52)

O Alcorão assim se refere àqueles pagãos que temem outras pessoas:

"… Mas, quando lhes foi prescrita a luta, eis que grande parte deles temeu as pessoas, tanto ou mais que a Deus, dizendo: ó Senhor nosso, por que nos prescreves a luta? Por que não nos concedes um pouco mais de trégua?..." (Alcorão 4:77)

Além dos sentimentos de amor e de medo, outros fatores também conduzem à idolatria, tais como pedir socorro à alguém, ou não se esforçar por agradar a Deus mas sim aos homens, não confiar em Deus e sim nas criaturas, olhar para os seres humanos como possuidores de um poder ou vontade que na verdade não têm.

Conforme podemos notar nos versículos do Alcorão aqui transcritos, seria uma concepção muito estreita considerar a idolatria apenas como o curvar a cabeça perante os pequenos ícones. Isto é próprio dos pagãos que reivindicam a santidade para si mesmos. Estas pessoas até acham que a idolatria foi totalmente abolida quando aqueles ídolos de pedra da Caaba foram destruídos depois que o Islam foi revelado, e que as centenas de versículos no Alcorão definindo a idolatria em detalhe e proibindo-a aos fiéis se referem àquelas sociedades primitivas. No entanto, o Alcorão contém as diretrizes de Deus que se aplicam a toda a humanidade até o dia da ressurreição. Portanto, essa afirmativa não se sustenta diante dos inúmeros exemplos de sabedoria do Alcorão. Por exemplo:

"Voltai-vos contritos a Ele, temei-O, observai a oração e não vos conteis entre os que (Lhe) atribuem parceiros, que dividiram a sua religião e formaram seitas, em que cada partido exulta no dogma que lhe é intrínseco." (Alcorão 30:3l-32)

Como se vê, uma das caracterísitcas mais importante dos politeístas é dividir a verdadeira religião de Deus, transformando-a em seitas e cada grupo exultando com seus próprios dogmas. Portanto, qualquer divisão do Alcorão, por menor que seja, significa dividir a religião e, por isso, é politeismo. Aquele que aceita e defende interpretações contrárias ao Alcorão, ou as dos exegetas, dos sheiks ou dos líderes religiosos incorre em politeismo e traz opressão à religião.

Nos versículos seguintes, vemos que nenhum ato dos pagãos, nem mesmo suas orações e adorações, será aceito por Deus:

"Já te foi revelado, assim como a teus antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te contarás entre os desventurados." (Alcorão 39:65)

"Do que Deus tem produzido em abundância, quanto às semeaduras e ao gado, eles Lhe destinam um quinhão, dizem, segundo as suas fantasias; Isto é para Deus e aquilo é para os nossos parceiros! Porém, o que destinaram a seus parceiros jamais chegará a Deus; e o destinado a Deus chegará aos seus (supostos) parceiros. Que péssimo é o que julgam!" (Alcorão 6:136)

Muitos pecados cometidos pelos fiéis não têm uma razão intencional contra Deus. Contrariamente a outros pecados, a idolatria é, portanto, ter um outro deus além de Deus e inventar uma mentira contra Ele. Por isso, ela é o maior pecado contra Ele. Deus fala no Alcorão que Ele perdoará qualquer pecado, exceto a idolatria.

"Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso, perdoa a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus cometerá um pecado ignominioso." (Alcorão 4:48)

"Deus jamais perdoará quem Lhe atribuir parceiros, conquanto perdoe os outros pecados, a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus desviar-se-á produndamente." (Alcorão 4:116)

E assim, muitos versículos do Alcorão advertem os fiéis contra a idolatria e os previne deste pecado maior. Eis alguns exemplos:

"Ó fiéis, em verdade os idólatras são impuros…" (Alcorão 9:28)

"Consagrando-vos a Deus; e não Lhe atribuais parceiros, porque aquele que atribuir parceiros a Deus, será como se houvesse sido arrojado do céu, como se o tivessem apanhado as aves, ou como se o vento o lançasse a um lugar longíguo." (Alcorão 22:3l)

"Recorda-te de quando Lucman disse ao seu filho, exortando-o: ó filho meu, não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniquidade." (Alcorão 31:13)

"Dize: Sou tão-somente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que o vosso Deus é um Deus único. Por conseguinte, quem espera o comparecimento ante seu Senhor que pratique o bem e não associe ninguém ao culto d'Ele." (Alcorão 18:110)

As coisas que os pagãos associam a Deus não têm, na verdade, qualquer qualidade divina. Deus informa no Alcorão que tais parceiros que Lhe são atribuídos não ajudam nem prejudicam (10:18), não criam nada (10:34), não podem ajudar ou socorrer (7:192) e não conduzem ninguém ao caminho reto (10:35). Embora pareça claro que tais criaturas são impotentes, a razão pela qual os pagãos as tomam por parceiros de Deus é o fato de elas possuírem algumas qualidades de Deus.

Por exemplo, a autoridade, a soberania, a supremacia e prosperidade que um governante transgressor possui, na verdade pertencem a Deus. Nesta vida na terra, Deus concede aqueles atributos ao governante até um certo limite. No entanto, temer aquele governante, afirmando que ele possue aquelas qualidades e obedecê-lo em suas determinações contra Deus, é transformá-lo em parceiro de Deus. Esse governante não é nem deus nem possui qualquer poder sobre coisa alguma. Quem quer que respeite o governante como um ser divino e o obedeça cegamente, na verdade esta adorando um falso deus criado por sua imaginação. Assim diz o Alcorão:

"Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 10:66)

Aquele que adora alguém além de Deus sofrerá o mais profundo arrependimento no além, quando descobrir que o objeto de sua adoração, na verdade, não possuía qualquer qualidade. As coisas que ele prefere ou adora na terra transformam Deus, o único que tem o poder, a honra e a glória, o único que é Protetor, em inimigo. Seus ídolos o abandonarão quando se encontrarem sozinhos no além.

"Um dia em que os congregaremos a todos, diremos aos idólatras: Ficai onde estais, vós e vossos parceiros! Logo os separaremos, então, seus parceiros lhes dirão: Não era a nós que adoráveis! Basta Deus por testemunha entre nós e vós, de que não nos importava a vossa adoração. Aí toda alma conhecerá tudo quanto tgiver feito e serão devovidos a Deus, seu verdadeiro Senhor; e tudo quanto tiverem forjado desvanecer-se-á." (Alcorão 10:28-30)

"Então lhes será dito: Onde estão os que idolatráveis, em que lugar de Deus? Responderão: Desvaneceram-se. E agora reconhecemos que aquilo que antes invocávamos nada era! Assim, Deus extravia os incrédulos." (Alcorão 40:73-74)

O Alcorão assim define a situação final dos pagãos:

"E quando presenciaram o nosso castigo, disseram: Cremos em Deus, o único, e renegamos os parceiros que Lhe atribuíamos. Porém, de nada lhes valerá a sua profissão de fé quando presenciarem o Nosso castigo. Tal é a Lei de Deus para com Seus servos. Assim, então perecerão os incrédulos." (Alcorão 40:84-85)

OPRESSÃO (FITNAH)

Em árabe, como em todas as línguas, algumas palavras têm mais de um significado. Assim acontece com a palavra "fitnah", que tem vários sentidos.

"Fitnah", basicamente, quer dizer "separar o ouro da jazida através do calor". Em muitos versículos do Alcorão, "fitnah" é a palavra empregada para expressar o critério usado para distinguir os fiéis dos que não são fiéis e dos hipócritas. A importância desse critério está baseada na avaliação das qualidades perdidas. Se uma pessoa se extraviou da senda reta ou se ela está no caminho certo, isto vai depender de seu comportamento diante da "fitnah".

A prece de Moisés, a seguir transcrita, nos mostra que a "fitnah" tanto pode desviar do caminho reto quanto levar a ele:

"E Moisés escolheu setenta homens, dentre seu povo, para que comparecessem ao lugar por Nós designado; e quando o tremor se apossou deles, disse: ó Senhor meu, quisesses Tu, tê-los-ias exterminado antes, juntamente comigo! Porventura nos exterminarias pelo que cometeram os néscios dentre nós? Isto não é mais do que uma prova Tua, com a qual desvias quem faz isso, e encaminhas quem Te apraz; Tu és o nosso Protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és o mais equânime dos indulgentes!" (Alcorão 7:155)

O Alcorão menciona em muitos versículos que a terra é um lugar de provas e que todos serão testados, independentemente da condição de fiéis ou não.

"Porventura, pensam os humanos que serão deixados em paz, só porque dizem: Cremos!, sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a fim de que Deus distinguisse os leais dos impostores." (Alcorão 29:2-3)

Em um outro versículo, o Alcorão diz que o teste será de duas formas diferentes:

"Toda a alma provará do gosto da morte, e vos provaremos com o mal e com o bem, e a Nós retornareis." (Alcorão 21:35)

Se um homem for próspero e rico, com muitas ações boas, de acordo com o Alcorão, sua propriedade o levará para perto de Deus. Mas, se ele usar dessa propriedade em desacordo com a vontade de Deus, ele se afastará do verdadeiro caminho. Então terá perdido o teste por causa de sua propriedade e irá "sofrer uma perda manifesta" na vida depois da morte.

Da mesma forma, a adversidade, a tristeza, a doença, a perda da casa ou de um ente querido, são exemplos de provas que a pessoa pode enfrentar. Se essa pessoa se rebelar, se desesperar, se afligir, então aquele teste indica que ela não crê. Isto não acontece com o fiel, que confia em Deus incondicionalmente e que sabe que cada espécie de acontecimento é proveniente d'Ele. Nada nesta vida tem importância maior em seu coração e assim ele não se aflige por causa de qualquer perda. Ele sabe que esta forma de pensar é a mais adequada para agradar a Deus.

Alguns versículos do Alcorão nos mostram que Deus cria certas condições para mostrar quem é o verdadeiro crente.

"Assim, Nós os fizemos testarem-se mutuamente, para que dissessem: São estes os que Deus favoreceu, dentre nós? Acaso, não conhece Deus melhor do que ninguém os agradecidos?" (Alcorão 6:53)

E os versículos seguintes mostram que a prosperidade é dada para algumas pessoas, com o objetivo de testá-las:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida terrena - a fim de, com isso, prová-las - posto que a mercê do teu Senhor é preferível e mais persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem muito mais a finalidade de intensificar a descrença do que distinguir as pessoas justas das que não o são. Em um outro versículo, este fato é mencionado:

"Que não te maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com isso, atormentá-los na vidaterrena e fazer com que suas almas pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus também diz que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem conscientemente (de seus propósitos):

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

Não há saída para quem Deus deixou que se extraviasse:

"Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso, perdoa a quem Lhe apraz. Quem agribuir parceiros a Deus cometerá um pecado ignominioso." (Alcorão 4:88)

A "fitnah" como extravio

Como citado acima, inúmeros versículos do Alcorão estão sempre nos lembrando que "fitnah" pode ser um motivo para o extravio e as antigas sociedades são bem um exemplo disso. Por exemplo, quando Moisés se afastou de seu grupo, seus membros passaram a obedecer ao Samaritano, fazendo a imagem de um bezerro e adorando-o. O Alcorão descreve esse fato como "ser levado para o extravio":

"Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua ausência, quisemos tentar o teu povo, e o samaritano logrou desviá-los." (Alcorão 20:85)

"Este forjou-lhes o corpo de um bezerro que mugia e disseram: Eis aqui o vosso deus, o deus que Moisés esqueceu! Porém, não reparavam que aquele bezerro não podia responder-lhes, nem possuía poder para prejudicá-los nem beneficiá-los?Aarão já lhes havia dito: ó povo meu, com isto vós somente fostes tentados; sabei que vosso Senhor é o Clemente. Segui-me, pois, e obedecei a minha ordem!" (Alcorão 20:88-90)

Um outro versículo confirma que a "fitnah" pode conduzir ao extravio:

"Logo verás e eles também verão, quem dentre vós é o aflito! Em verdade, teu Senhor é o mais conhecedor de quem se desvia da Sua senda, assim como é o mais conhecedor dos encaminhados." (Alcorão 68:5-7)

A "fitnah" como teste

Em alguns versículos, também é mencionado que a "fitnah" torna o fiel mais forte em sua crença e o aproxima mais de Deus. Por exemplo, uma guerra empreendida contra os fiéis ou os tempos de guerra intensa são grandes provas. Apesar de tudo, o fiel crê em Deus e age de acordo com Sua vontade, qualquer que seja a circunstância.

"E quando os fiéis avistaram as facções, disseram: Eis o que nos haviam prometido Deus e o Seu Mensageiro; e tando Deus como o Seu Mensageiro disseram a verdade! E isso não faz mais do que lhes aumentar a fé e resignação." (Alcorão 33:22)

"São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temei-os! Isso aumentou-les a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que excelente Guardião!" (Alcorão 3:173)

Não importa quão rigoroso seja o teste, porque o fiel sempre se sairá bem, porque seu comportamento é sempre no sentido de agradar a Deus.

Um acontecimento, que representa a Misericórida de Deus para com os fiéis e que fortalece sua crença n'Ele, pode ser uma prova para os infiéis, levando-os a se desviarem da senda. Os versículos abaixo dizem que o fato de existirem anjos pela causa do inferno aumenta a descrença nos infiéis, ao passo que este mesmo fato só fortalece a crença nos fiéis.

"Guardado por dezenove. E não designamos guardiães do fogo, senão os anjos, e não fixamos o seu número, senão como prova para os incrédulos, para que os adeptos do Livro se convençam; para que os fiéis aumentem em sua fé e para que os adeptos do Livro, assim como os fiéis, não duvidem; e para que os que abrigam a morbidez em seus corações, bem como os incrédulos, digam: Que quer dizer Deus com esta prova? Assim, Deus extravia quem quer e encaminha quem Lhe apraz e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor. Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade." (Alcorão 74:30-31)

O empenho para levar à "fitnah"

Algumas pessoas tentam desviar os fiéis do verdadeiro caminho, do estilo de vida, da crença, isto é, "da sua religião". O Alcorão nos fala que, através dos tempos, os fiéis sempre foram expostos a tais ameaças. Sempre houve pessoas que pretenderam desviar os fiéis do Alcorão e de seus cânones. Deus diz que os fiéis ter-se-iam desviado se eles consentissem nisso.

"Antes de ti, jamais enviamos mensageiro ou profeta algum, sem que Satanás o sugestionasse em sua predicação; porém, Deus anula o que aventa Satanás, e então prescreve as Suas leis, porque Deus é Sapiente, Prudentíssimo. Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez em seus corações e para aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os iníquos estão em um cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:52-53)

E no versículo abaixo, está assinalado que a prosperidade é dada para alguns, a fim de que sejam testados:

"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida terrena - a fim de, como isso, prová-los - posto que a mercê de teu Senhor é preferível é mais persistente." (Alcorão 20:131)

Esta espécie de "fitnah" tem o papel de intensificar muito mais a descrença do que diferenciar os justos dos que não são. O versículo abaixo, é um exemplo disso:

"Que não tem maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente quer, com isso, atormentá-los na vida terrena e fazer com que suas almas pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)

Deus nos diz no Alcorão que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem com conhecimento:

"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)

Não há saída para aquele a quem Deus desviou:

"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez que Deus os reprovou pelo que perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus desvia? Jamais encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia." (Alcorão 4:88)

Causar "fitnah"

Na Capítulo A Vaca, versículos 191 e 217, Deus define a "fitnah" como "pior do que matar". Vejamos, então, qual a pena para o assassino, cujo pecado é menor do que causar "fitnah".

"Quem matar, intencionalmente, um fiel, seu castigo será o inferno, onde permanecerá eternamente. Deus o abominará, amaldiçoá-lo-á e lhe preparará um severo castigo." (Alcorão 4:93)

Neste contexto, "fitnah" abrange o sentido de desviar das atividades e tem um significado diferente daquele usado para prova, teste, usado anteriormente neste livro.

O Alcorão fala dos hipócritas como sendo aqueles que provocam "fitnah". Deus diz nos versículos que os hipócritas tentam impedir os fiéis de lutar no caminho de Deus, e provocam muitos casos de "fitnah", tais como planejarem secretamente nas costas do mensageiro e dos fiéis, tentando abalar sua determinação.

Os hipócritas falsamente interpretam os versículos e acatam aqueles nos quais há uma concordância com seus interesses particulares e desobedecem os outros, diferentemente dos fiéis, que se submetem totalmente a tudo quanto está escrito no Alcorão. Nos versículos a seguir transcritos, Deus declara:

"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissensões, interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira interpretação. Os sábios dizerm: Cremos nele (o Alcorão), tudo emana do nosso Senhor. Mas ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão 3:7)

Provocar a opressão é a característica mais importante dos hipócritas. A versão árabe para a palavra "hipócrita" é "munafiq", que siginifica "aquele que provoca a divisão". Provocar a divisão entre os fiéis é um grande pecado e é uma "fitnah". Há no Alcorão diversos versículos que relatam situações onde os hipócritas tentam provocar a "fitnah" entre os crentes:

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém,Deus bem conhece os iníquos." (Alcorão 9:47)

"Porém, se (Madina) houvesse sido invadida pelos seus flancos, e se eles houvessem sido incitados à intriga, tê-la-iam aceito, mesmo que não se houvessem deleitado com ela senão temporariamente." (Alcorão 33:14)

"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre vós há quem os escuta. Porém, Deus bem conhece os iníquos. J, antes, haviam tratado de suscitar dissensões e intentado desbaratar os teus planos, até que chegou a verdade e prevaleceram os desígnios de Deus, ainda que isso os desgostasse." (Alcorão 9:47-48)

Os hipócritas que fazem planos secretos contra o mensageiro de Deus e contra os crentes tentam se explicar quando suas verdadeiras intenções são descobertas. Alguns tentam se mostrar inocentes e, na verdade, não são hipócritas, porque eles temem os fiéis e também têm medo de serem punidos. Por esta razão, eles pedem para não serem considerados da mesma forma que os outros hipócritas por que não fizeram nada de mal. Pedem, inclusive, permissão para continuarem junto com os crente.

"E entre eles, há quem te diga: Isenta-me, e não me tentes! Acaso, não caíram em tentação? Em verdade, o inferno cercará os incrédulos (por todos os lados)." (Alcorão 9:49)

No versículo está dito que aquelas pessoas mentem e que eles próprios estão em "fitnah", como qualquer outro hipócrita. Deus adverte os fiéis para não acreditarem nesta fraude.

Os infiéis e os hipócritas sofrerão a penalidade mais grave no inferno, porque eles provocaram a opressão.

"(Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes apressar!" (Alcorão 51:14)

Lutar contra os crentes

A maior luta contra a religião e os crentes é o deflagrar de uma guerra. Os versículos a seguir transcritos, do Capítulo A Vaca, informam que a guerra contra os crentes é uma "fitnah" muito importante.

"Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não pratiqueis agressão,porque Deus não estima os agressores. Matai-os onde quer que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." (Alcorão 4:190-193)

Conforme está dito no versículo 193, do Capítulo A Vaca, "combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus", é obrigação dos crentes lutar numa guerra, que foi iniciada contra eles, até que a vitória absoluta seja alcançada. Esta regra se aplica somente quando a guerra foi iniciada contra o Islam, a religião e os fiéis. Nenhuma pressão será exercida sobre aqueles pessoas que não crêem. O Alcorão proíbe terminantemente isto e diz quais são os casos onde uma luta pode começar:

"Deus nada vos proíbe, quanto àqueles que não vos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperam na vossa expulsão. Em verdade, aqueles que entrarem em privacidade com eles serão iníquos." (Alcorão 60:8-9)

A disputa entre os crentes provoca "fitnah"

Deus diz que se os crentes não se tornarem seus próprios protetores e guardiães, isto significará "fitnah" na terra:

"Quanto aos incrédulos, são igualmente protetores uns dos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e grande corrupção sobre a terra." (Alcorão 8:73)

Os fiéis evitam causar opressão e se mantêm afastados de qualquer comportamento que possa provocá-la. No entanto, algumas condutas dos crentes, embora não intencionais, podem provocar opressão.

Como citado no Capítulo "Os Espólios", versículo 73, acima, se os crentes não se tornarem protetores e guardiães uns dos outros, e se eles disputarem entre si, haverá tumulto e opressão sobre a terra. Neste caso, os crentes serão responsáveis pela opressão (fitnah), portanto, eles devem se esmerar no papel de protetores e guardiães uns dos outros.

Casos de "fitnah"

Deus, o Criador de todos os homens, ensina, detalhadamente, como os crentes devem agir sobre a terra. Se uma pessoa se submete aos seus próprios desejos, isto quer dizer que esta pessoa prefere atender a seus desejos e expectativas pessoais do que à Vontade de Deus, se descuidando, portanto. Consequentemente, ela faz o que não é permitido por Deus e se torna um negligente, o que trará grande sofrimento e luta.

Embora Deus cite que os bens da terra não são permanentes e que aqui é somente um lugar de teste, aquela pessoa toma a terra como o "lugar verdadeiro" e rejeita a vida após a morte.

Aquele que não age conforme o Alcorão vive para os bens terrenos e se esquece que tudo foi criado para servir de prova. No versículo abaixo, Deus diz que os bens e os filhos são meios de prova.

"Em verdade, os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa." (Alcorão 64:15)

Embora haja outras palavras com o significado de "prova, teste", em árabe a palavra "fitnah" é usada nestes versículos. Algumas pessoas esquecendo do objetivo verdadeiro de suas existências sobre a terra e de suas obrigações acham que certamente se casarão, terão filhos e possuirão bens e muito mais além disso. Muitas pessoas, mesmos os fiéis, não prestam a devida atenção e se casam, fazem dinheiro e se cercam de bens e filhos, como se estivessem cumprindo os mandamentos de Deus.

Por exemplo, o caso dos filhos também é citado no Alcorão e a prece de Imram é mostrada como um exemplo para este caso:

"Recorda-te de quando a mulher de Imram disse: ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)

O Alcorão menciona preces semelhantes de alguns profetas e que nos conduz para o caminho verdadeiro:

"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)

Ou então, a prece de Abraão:

"Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Acorão 2:128)

Os bens e as posses que uma pessoa possui é por Misericórdia de Deus e lhe será benéfico depois da morte, se usado de acordo com a vontade de Deus e por conta da religião. Caso contrário, eles são "fitnah" e conduzirão ao extravio. Com relação ao comando de Deus sobre os bens e as riquezas, os fiéis tomam o profeta Salomão como um exemplo para eles mesmos e não evitam ter posses, mas as recebem, porque vêm de Deus:

"Um dia, ao entardecer, apresentaram-lhe uns briosos corcéis. Ele disse: Em verdade, amo o amor ao bem, com vistas à menção do meu Senhor. Permaneceu admirando-os, até que (o sol) se ocultou sob o véu (da noite). (Então, ordenou): Trazei-os a mim! E se pôs a acariciar-lhes as patas e os pescoços." (Alcorão 38:3l-33)

A menos que o objetivo seja agradar a Deus, fazer filhos se comportarem de acordo com os seus próprios desejos, propondo alguns falsos pretextos, levará a pessoa a "fitnah".

No Alcorão, Deus adverte-nos o fiel sobre as posses e os filhos e nos diz para termos cuidado:

"Ó fiéis, que os vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da recordação de Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados." (Alcorão 63:9)

As posses e os filhos não lhe serão de serventia alguma na vida depois da morte:

"Perante Deus, de nada lhes valerão os seus bens, nem os seus filhos e serão os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente." (Alcorão 58:17)

Opressão, tortura e obrigação

O Alcorão define opressão, tortura e obrigação como "fitnah".

"Porém, salvo uma parte do seu povo, ninguém acreditou em Moisés por temor de que o Faraó e seus chefes os oprimissem, porque o Faraó era um déspota na terra; era um dos transgressores." (Alcorão 10:83)

"Sabei que aqueles que perseguem os fiéis e as fiéis e não se arrependem, sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do fogo." (Alcorão 85:10)

"Não julgueis que a convocação do Mensageiro, entre vós, é igual à convocação mútua entre vós, pois Deus conhece aqueles que, dentre vós, se esquivam furtivamente. Que temam, aqueles que deseobedecem às ordens do Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso castigo." (Alcorão 24:63)

"Incitamos-te a que julgues entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sabendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados." (Alcorão 5:49)

Nos versículos do Alcorão, abaixo, vemos que, quando os fiéis pedem para livrá-los da opressão dos infiéis, mencionam "fitnah":

"Disseram: A Deus nos encomendamos! ó Senhor nosso, não permitas que fiquemos afeitos à fúria dos iníquos." (Alcorão 10:85)

O Alcorão também define aflição, desastres e catástrofes como "fitnah":

"Não reparam, acaso, que são tentados uma ou duas vezes por ano? Porém, não se arrependem, nem meditam." (Alcorão 9:126)